da poesia tupperware. se eu fosse nutricionista e majasse dessas coisas - percebam a sutil mudança de assunto, depois que a júlia previu o fundo do poço na minha vida de stauker - dessas coisas de comida, eu estaria apta à minha grande idéia desses dias: escrever um poema sobre as coisas que a gente come. acho que ia ser muito tom zé, mas mesmo assim:
glu
tamato
mó
nossódico
cuidado com o
seqüestrante, u-ú
é pior que
eloá
é melhor que
miraí
pelo menos não vai
alagá ô-o
glu-tá
ma-tô
mo-nô
sódico
bebida láctea
sabor iogurte
especialidade láctea
sabor requeijão
via láctea
sabor trombose
e meia com gosto de sabão
gluta matô mono
mono mono mono
só
dico
gordura trans dá infarto
gordura vegetal ih!drogenada
sabor idêntico ao artificial
colorido
ar
tificial
-mente!
semporcento natural
contém 1% de suco de laranja
ê-o
gluglu tatá monô só
mato mato mato
goma
xantana
xerazade japonesa
é prima da goma
guar:
carboxi
metil
celulose,
edulcorantes
artificiais
sucralose,
emulsificante
mudei de idéia, parece Tati.
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domingo, 9 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
superei
quero reiterar a falta de objetivos artísticos deste blogue. eu superei o lirismo, agora é só chinelão. mas em nome dessa sessão nostalgia que envolve este blogue, em comemoração ao resgate dos tais quatro anos que se pensavam perdidos da história bloguística deste país - e só em nome disso. posto aqui o que eu acreditei um dia.
Será que estamos sós? eu penso.
escuto, longe, um longo silvo.
Não sei se de dor ou de medo.
Se é dor ou medo
O sentimento da certeza:
Não, não estamos sozinhos.
Sem poder detê-lo, ele se esconde no colchão.
Não estamos.
Outro ruido forte irrompe e trinca a lua cheia.
Receio que sim, que estamos...
A porta se abre e chora.
Não.
Não pode ser...
20/01/2005
1
O tempo pára em alguns lugares.
Pequenos obstáculos imóveis.
O tempo pára e nos mostra a eternidade,
que abraçamos porque somos únicos.
Onde o tempo pára, não resta mais nada. Apenas respiramos, sobrevivendo.
(Quem desafia o tempo-espaço nunca sobrevive).
Enquanto o tempo pára, eu me sento no cais.
E observo o ir-e-vir de minhas memórias nas redes dos pescadores.
2
Eu me debruço sobre o cais
E penso em tudo
Eu penso em você
E na madrugada aberta
Meu pensamento escorre
Como o óleo dos navios
Sujando o Oceano
14/09/2004
Insônia
Diante de mim
Um copo com água:
Eu transbordo.
Diante de mim
Espelho do fundo da pia
E minha sede.
Diante de mim
Eu embaço
As noites não- dormidas.
A madrugada desce a escada
Distante de mim.
12/11/2001
Será que estamos sós? eu penso.
escuto, longe, um longo silvo.
Não sei se de dor ou de medo.
Se é dor ou medo
O sentimento da certeza:
Não, não estamos sozinhos.
Sem poder detê-lo, ele se esconde no colchão.
Não estamos.
Outro ruido forte irrompe e trinca a lua cheia.
Receio que sim, que estamos...
A porta se abre e chora.
Não.
Não pode ser...
20/01/2005
1
O tempo pára em alguns lugares.
Pequenos obstáculos imóveis.
O tempo pára e nos mostra a eternidade,
que abraçamos porque somos únicos.
Onde o tempo pára, não resta mais nada. Apenas respiramos, sobrevivendo.
(Quem desafia o tempo-espaço nunca sobrevive).
Enquanto o tempo pára, eu me sento no cais.
E observo o ir-e-vir de minhas memórias nas redes dos pescadores.
2
Eu me debruço sobre o cais
E penso em tudo
Eu penso em você
E na madrugada aberta
Meu pensamento escorre
Como o óleo dos navios
Sujando o Oceano
14/09/2004
Insônia
Diante de mim
Um copo com água:
Eu transbordo.
Diante de mim
Espelho do fundo da pia
E minha sede.
Diante de mim
Eu embaço
As noites não- dormidas.
A madrugada desce a escada
Distante de mim.
12/11/2001
quarta-feira, 30 de abril de 2008
mais uma pérola da literatura tupperware
Tá bom, eu tenho que deixar o link pro post da júlia dos tupperwares e dizer que eu me sinto sempre assim quando entro no banheiro da Letras, no meio de uma peça de teatro - literalmente no meio. Como se você abrisse uma porta na faculdade e, ainda sem olhar para frente, percebesse que está no palco, entre duas pessoas dialogando. E não só quando você ouve as pessoas conversando*, mas também ao simplesmente olhar em volta e ver o que as pessoas avidamente escrevem na parede**.
Aliás, sou completamente fã da entidade abstrata "pessoas", como eu já tentei provar em outros posts.
*Talvez a pior (?) história de diálogo incidental do banheiro da letras foi:
DRAMATIS PERSONAE
Vina, estudante universitária
Fulanita, freqüentadora do banheiro feminino, com problemas sexuais
Cicranita, também freqüentadora do banheiro feminino, interlocutora.
Vina entra no banheiro e percebe que ele estaria vazio se não fossem Cicranita e Fulanita, que conversavam ativamente. Sua passagem pela porta, denunciada pelo barulho ruidoso da porta e talvez um ocasional tropeço, foi seguramente percebida pelo grupo.
Fulanita: E os pais dele não estavam na casa.
Cicranita: é?
Fulanita: Foi. E aí a gente se trancou dentro do quarto, ele tirou a minha roupa, ficou falando que queria me comer todinha.
Cicranita: Sei. E você?
Fulatina: Ah, cara, depois de tanto que eu me esfreguei nele, né? Já tava na hora, eu tava doidinha...
Cicranita: ...
Fulanita: Não me olha com essa cara, eu sei que ele namora a Beltranita, mas amizade não tem nada a ver com sexo.
Cicranita (exercendo o seu direito de ficar calada).
Fulanita: Tá, então eu tirei a roupa pra ele, fiz tipo um strip... E ai, meu, o pau dele tava molinho!
Cicranita (exercendo seu direito de fazer um comentário apropriado).
Fulanita: Muito filho da puta o cara, eu nem acreditei! Tem o pinto pequeno e ainda é broxa, meu!
Cicranita: Ah, não fala assim do João...
Fulanita: Ei, não fala o nome dele que tem gente no banheiro.
Vina (cuidando da própria vida) (se sentindo constrangida de exercer o seu direito de atender ao chamado mais legítimo da natureza)
(Silêncio)
Vina sai do banheiro, o par de frqüentadoras do banheiro feminino finalmente ficam a sós.
FIM
Para mim, o grande enigma dessa história é porque Fulanita não se sente nem um pouco constrangida de falar qualquer outra das coisas que ela disse, mas sim de dizer o nome do indivíduo. Será que ela me conhece? Será que eu conheço a pessoa em questão? E, se sim, porque ela continuaria tão ativamente a conversa, se ela me dissesse respeito de qualquer forma?
Freud explica.
Na verdade, o banheiro da letras é um pedaço do Twilight Zone.
Aliás, sou completamente fã da entidade abstrata "pessoas", como eu já tentei provar em outros posts.
*Talvez a pior (?) história de diálogo incidental do banheiro da letras foi:
DRAMATIS PERSONAE
Vina, estudante universitária
Fulanita, freqüentadora do banheiro feminino, com problemas sexuais
Cicranita, também freqüentadora do banheiro feminino, interlocutora.
Vina entra no banheiro e percebe que ele estaria vazio se não fossem Cicranita e Fulanita, que conversavam ativamente. Sua passagem pela porta, denunciada pelo barulho ruidoso da porta e talvez um ocasional tropeço, foi seguramente percebida pelo grupo.
Fulanita: E os pais dele não estavam na casa.
Cicranita: é?
Fulanita: Foi. E aí a gente se trancou dentro do quarto, ele tirou a minha roupa, ficou falando que queria me comer todinha.
Cicranita: Sei. E você?
Fulatina: Ah, cara, depois de tanto que eu me esfreguei nele, né? Já tava na hora, eu tava doidinha...
Cicranita: ...
Fulanita: Não me olha com essa cara, eu sei que ele namora a Beltranita, mas amizade não tem nada a ver com sexo.
Cicranita (exercendo o seu direito de ficar calada).
Fulanita: Tá, então eu tirei a roupa pra ele, fiz tipo um strip... E ai, meu, o pau dele tava molinho!
Cicranita (exercendo seu direito de fazer um comentário apropriado).
Fulanita: Muito filho da puta o cara, eu nem acreditei! Tem o pinto pequeno e ainda é broxa, meu!
Cicranita: Ah, não fala assim do João...
Fulanita: Ei, não fala o nome dele que tem gente no banheiro.
Vina (cuidando da própria vida) (se sentindo constrangida de exercer o seu direito de atender ao chamado mais legítimo da natureza)
(Silêncio)
Vina sai do banheiro, o par de frqüentadoras do banheiro feminino finalmente ficam a sós.
FIM
Para mim, o grande enigma dessa história é porque Fulanita não se sente nem um pouco constrangida de falar qualquer outra das coisas que ela disse, mas sim de dizer o nome do indivíduo. Será que ela me conhece? Será que eu conheço a pessoa em questão? E, se sim, porque ela continuaria tão ativamente a conversa, se ela me dissesse respeito de qualquer forma?
Freud explica.
Na verdade, o banheiro da letras é um pedaço do Twilight Zone.
sábado, 26 de abril de 2008
nihilismo
Voltei. E muito absolutamente realizada, porque alguém de Babaçulândia, Tocantins, entrou no meu blogue. (Esses dias, eu to parecendo o Silvio Santos contando as caravanas que vêm pro Topa Tudo por Dinheiro. Um beijo pra galera de Babaçulândia!).
Grande Babaçulândia.
Pois é. Hoje foi uma aula muito produtiva na faculdade, quando eu descobri que niilismo vem de nihil - do latim, nada. Literalmente, nadaísmo. Só que nadaísmo parece natação. Talvez vaziísmo, mas aí lembra vasilha, tupperware. Eu devia fundar o tupperwarismo, o movimento literário de guardar os restos no congelador, só pelas dúvidas. E o importante dos poemas tupperwaristas é que eles podem ir direto pro microondas. Direto. E aí, pronto pra servir a qualquer hora, em qualquer lugar, apto a qualquer situação social e anti-social. Aliás, é um movimento bem conservador (tú-tú-pá!).
Nem eu suporto mais meu senso de humor.

Ontem eu tive uma grande revelação. Depois de ficar dois dias de cama, pensei em alguma coisa genial, absolutamente genial, indigna da minha própria imaginação ordinária. E esqueci. De novo. E depois, se eu lembrasse fatalmente, andando pela rua, eu ia pensar que é uma idéia muito boba, e que o fato de eu ter esquecido teria gerando uma espectativa que não condizia com a realidade. Então, entre um e outro, eu prefiro esquecer e me considerar uma gênia incompreendida pelo meu próprio consciente, incapaz de manter as minhas próprias (geniais) idéias.
música de fundo: britadeiras eternas da paulista.

Não consigo imaginar coisa mais solitária do que uma sexta-feira à noite, ao som de britadeiras. Fato é que as pessoas solitárias se consideram sempre a gênese mesma da solidão. Todos os dias, na rua, cruzamos com pequenos centros cósmicos de solidão em polpa, como aquelas que você compra no supermercado. Hoje mesmo, no meu devaneio interior diário no trânsito, vi uma mulher esquisita andando na rua. Bonita, mas muito mal vestida, carregando umas bolsas desordenadas, segurando outras coisas na mão, meio descabelada e, reparem, provavelmente cantando sozinha. O mais extraordinário é que ela não fazia som, tipo cantava em silêncio - fantástico! Vocês nem imaginam, mas é exatamente assim que eu ando na rua! - sempre achei que eu fosse louca... Mas, afinal, todos somos, né?

Bom, ontem, mais uma vez, um dia absolutamente revelador, assisti a uma palestra do Contardo Calligaris, aquele psicanalista multi-uso que escreve sobre literatura na Folha. Inclusive, pensando bem, foi uma das pessoas que eu mais gostei de ver ao vivo. (Já falamos sobre isso em outro post, sobre o Mia Couto, lembram? Eu tinha dito, então, coisas sobre a minha compulsão fetichista ao revés, de não gostar de ver as pessoas ao vivo. Pois é...). Bom, pois pe, dessa vez foi diferente. Talvez porque a palestra dele era sobre outro autor - Luis Alfredo Garcia-Roza -, por quem ele era visivelmente apaixonado. Outro motivo, ainda no campo meramente conjectural, seja porque temos um gosto muito parecido. Ele disse "se alguém me perguntasse qual era meu herói, eu diria, com segurança: é o Marlowe". Pois é, o meu não é o Marlowe - Philip Marlowe, detetive mais importante do maior escritor de romances noir, Raymond Chandler - mas ele é, com certeza, um personagem fascinante. Eu particularmente gosto da sua absoluta incapacidade de lidar com mulheres, ainda que elas se sintam invariavelmente seduzidas por ele. A narrativa é em primeira pessoa, por isso não fica muito explícito, mas se você tentar pensar nas situações do ponto de vista feminino... Por exemplo, em O sono eterno, estréia do detetive, duas irmãs são filhas do Gal. Sternwood, que o contrata. (Chandler provavelmente põe no papel sua mais profunda fantasia ao fazer as duas tentarem seduzi-lo). Em uma noite solitária, mas sem as britadeiras características das minhas, Marlowe volta pra casa e eis que encontra a mais jovem Sternwood como deus lhe trouxe ao mundo na sua cama. O que ele faz? Dá uns tapas na mulher e joga a pobre na sarjeta, porta à baixo. Marlowe não tem a menor habilidade feminina. A menor. Ouso dizer que as mulheres o assustam, por isso toda aquela pose de machão.

Bom, mas é isso que você faz nas noites solitárias de sexta-feira...
Grande Babaçulândia.
Pois é. Hoje foi uma aula muito produtiva na faculdade, quando eu descobri que niilismo vem de nihil - do latim, nada. Literalmente, nadaísmo. Só que nadaísmo parece natação. Talvez vaziísmo, mas aí lembra vasilha, tupperware. Eu devia fundar o tupperwarismo, o movimento literário de guardar os restos no congelador, só pelas dúvidas. E o importante dos poemas tupperwaristas é que eles podem ir direto pro microondas. Direto. E aí, pronto pra servir a qualquer hora, em qualquer lugar, apto a qualquer situação social e anti-social. Aliás, é um movimento bem conservador (tú-tú-pá!).
Nem eu suporto mais meu senso de humor.
Ontem eu tive uma grande revelação. Depois de ficar dois dias de cama, pensei em alguma coisa genial, absolutamente genial, indigna da minha própria imaginação ordinária. E esqueci. De novo. E depois, se eu lembrasse fatalmente, andando pela rua, eu ia pensar que é uma idéia muito boba, e que o fato de eu ter esquecido teria gerando uma espectativa que não condizia com a realidade. Então, entre um e outro, eu prefiro esquecer e me considerar uma gênia incompreendida pelo meu próprio consciente, incapaz de manter as minhas próprias (geniais) idéias.
música de fundo: britadeiras eternas da paulista.
Não consigo imaginar coisa mais solitária do que uma sexta-feira à noite, ao som de britadeiras. Fato é que as pessoas solitárias se consideram sempre a gênese mesma da solidão. Todos os dias, na rua, cruzamos com pequenos centros cósmicos de solidão em polpa, como aquelas que você compra no supermercado. Hoje mesmo, no meu devaneio interior diário no trânsito, vi uma mulher esquisita andando na rua. Bonita, mas muito mal vestida, carregando umas bolsas desordenadas, segurando outras coisas na mão, meio descabelada e, reparem, provavelmente cantando sozinha. O mais extraordinário é que ela não fazia som, tipo cantava em silêncio - fantástico! Vocês nem imaginam, mas é exatamente assim que eu ando na rua! - sempre achei que eu fosse louca... Mas, afinal, todos somos, né?
Bom, ontem, mais uma vez, um dia absolutamente revelador, assisti a uma palestra do Contardo Calligaris, aquele psicanalista multi-uso que escreve sobre literatura na Folha. Inclusive, pensando bem, foi uma das pessoas que eu mais gostei de ver ao vivo. (Já falamos sobre isso em outro post, sobre o Mia Couto, lembram? Eu tinha dito, então, coisas sobre a minha compulsão fetichista ao revés, de não gostar de ver as pessoas ao vivo. Pois é...). Bom, pois pe, dessa vez foi diferente. Talvez porque a palestra dele era sobre outro autor - Luis Alfredo Garcia-Roza -, por quem ele era visivelmente apaixonado. Outro motivo, ainda no campo meramente conjectural, seja porque temos um gosto muito parecido. Ele disse "se alguém me perguntasse qual era meu herói, eu diria, com segurança: é o Marlowe". Pois é, o meu não é o Marlowe - Philip Marlowe, detetive mais importante do maior escritor de romances noir, Raymond Chandler - mas ele é, com certeza, um personagem fascinante. Eu particularmente gosto da sua absoluta incapacidade de lidar com mulheres, ainda que elas se sintam invariavelmente seduzidas por ele. A narrativa é em primeira pessoa, por isso não fica muito explícito, mas se você tentar pensar nas situações do ponto de vista feminino... Por exemplo, em O sono eterno, estréia do detetive, duas irmãs são filhas do Gal. Sternwood, que o contrata. (Chandler provavelmente põe no papel sua mais profunda fantasia ao fazer as duas tentarem seduzi-lo). Em uma noite solitária, mas sem as britadeiras características das minhas, Marlowe volta pra casa e eis que encontra a mais jovem Sternwood como deus lhe trouxe ao mundo na sua cama. O que ele faz? Dá uns tapas na mulher e joga a pobre na sarjeta, porta à baixo. Marlowe não tem a menor habilidade feminina. A menor. Ouso dizer que as mulheres o assustam, por isso toda aquela pose de machão.
Bom, mas é isso que você faz nas noites solitárias de sexta-feira...
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