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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

desobjetivos de vida

como destruir tudo aquilo a que você se dedicou durante toda a sua vida:

1) desaprender espanhol para contar a piada do paraguayo;

2) ler overbook em iglês, quando tiver 90 anos, e achar bom;

3) escrever poemas concretos com catuaba selvagem;

4) fazer um filme pornô com três cavalos e pessoas albinas;

5) finalmente, levar o que ficou conhecido como "o poema do fagner" às telas;

6) beber em muriaé;

7) não ir pra aula porque você está com seus amigos bebendo num interminável copo de plástico uma dose do que você pensa ser vinho, mas na verdade é catuaba selvagem, na frente da sala de aula, cruzando olhares com a professora.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

236

depois de uma longa espera, voltamos com mais um....

VINADRAMA

apresentando vina, como vina.

rolou uma discussão por aí sobre o blogue. eu lembrei de quando eu fiz - o blogue. foi como o lance da tatuagem - que eu nunca fiz - tava precisando de um nome. foi quando eu entrei naquele curso de literatura de amor - que foi uma bosta - e a professora passou o Colheita, o conto da Nélida Piñon, e pelo menos tinha sido uma coisa feliz que eu tinha feito com aqueles dez reais. (também li aquele conto do herberto helder que eu não supero). (uma merda). me identifiquei com a personagem, como eu me identifico com todas as personagens, sendo eu mesma uma personagem, blábláblásabecomoé. não quis ter feito as coisas diferentes. só queria ter mais amor e menos paçoca pra colocar aqui no blogue, mais amor e menos objetos, e uma perseverança estúpida, como toda perseverança, empregada no intuito de amar, amar perdidamente etc etc.

não faz sentido.

deve ser porque eu bebi.

sábado, 22 de novembro de 2008

60h

acordei como se me atropelasse um caminhão
agorinha, quase uma hora da tarde
sem saber
o que me aconteceu
nos últimos dias

com a estranha esperança
de nunca mais
entrar
num avião
da gol
quando os da
ocean air
são
muito
melhores...

domingo, 16 de novembro de 2008

bring me your dreams

oi, gente. tudo bem? como vai a vida?
é.
só vim pra dar oi mesmo.
não, não tô bêbada... não hoje.
vou estragar o blogue falando de mim mesma. (vinadrama?, não ainda)

queria escrever que nem nos quadrinhos, que eles sempre colocam uma palavra em negrito. mas negrito é meio brega, então eu colocaria em itálico, uma palavra por frase, assim, pra dar ritmo de quadrinho. não que você se importe. não que faça diferença. sei.

acho que eu tô assim porque o sandman acabou. sim, eu comecei a colecionar em 2000, exatamente na entre-safra de editoras, quando o quadrinho saiu da metal pesado, acho, e foi para uma outra, que no meio da estação das brumas faliu, faltando só um número para completar o arco. coloca aí mais alguns anos pra conseguir achar a tal da sandman número 26, eu acho, que eu finalmente encontrei um pouco depois de lançarem estação das brumas pela conrad. aliás, comprei o número que saiu pela primeira vez no brasil, pela globo, na banca mesmo, com papel de revistinha - e que o neil gaiman não deixa de dizer que é a melhor edição do mundo. hoje que eu tenho uns cinco volumes desse de capa dura da conrad (e mais não sei quantos pela editora que veio depois da metal pesado) vejo muito clara essa diferença. tipo no penúltimo arco, o entes queridos: um dos artistas faz um desenho meio nanquim, com muitos pontos sobrando, meio arenal, sei lá, essa idéia que está tudo dissolvendo. só que não dá pra ver direito na versão nova porque, segundo a lina, o acabamento da impressão fez suprimir o efeito meio grosseiro de como se imprimia até a década de noventa, mais ou menos a diferença de vinil pra cd. enfim, enfim.

não sejamos puristas: o grande problema da edição da conrad é a tosquice da tradução. daniel pelizzari, seu merda. fez as fúrias chamarem biscoito de bolacha, a delírio se chamar delirium, o morfeu ser chamado de morpheus (o orfeu de orpheus, etc etc), e o lucien, o bibliotecário nerd de fala empoada, dizer "nada a ver". sem contar as expressões traduzidas ao pé da letra, a inabilidade de distinguir o inglês europeu do americano e o fato de trasformar os diálogos em filmes do charles browson, com as pessoas se gritando "bastardo!". me arrependi mesmo de ter comprado, era melhor ter encomendado tudo em inglês mesmo. MEU INGLÊS TOSCO, pelo menos meu.

enfim, enfim. rabugices à parte, foi difícil terminar. quer dizer, aí passaram 8 anos da minha vida, procurando e procurando. li todas as coisas do sandman. os dois arcos da morte, os dois das fúrias, alguma coisa do lúcifer, o arco da (merda, qual o nome daquela bruxinha?) tess.... tess... ah, tessaly. o arco do merv, e my personal favorite, o que eu levei mais tempo pra completar, o arco do destino. muito dinheiro pro sr. gaiman. muito.

e acabou. me sinto orfã, não sei o que dizer. aquela sensação depois que você lê um livro muito, muito longo. *suspiro

é isso aí, back to life.

sábado, 18 de outubro de 2008

me agarré un pedo

oi, gente. pra variar, eu estou bêbada - e isso é um grande impulso para escrever baboseiras aqui no blogue. como vocês devem saber.

ah, oi.

então. como vocês devem saber, hoje é sexta - merda! sábado - e o clube decadente do lado da minha casa está com o volume no último. ou nas últimas. enfim. de qualquer maneira, ao contrário do que possa aparecer, isso quase nunca atrapalhou meu sono: na verdade, normalmente eu acho só engraçado, e pensar numa festa de formatura ou num casamento parecendo um baile da terceira idade - nada contra a terceira idade, tudo contra matinês - , beleza, parecendo uma matinê de cidade de interior - que aliás eu já frequentei mais do que eu devia - é uma idéia que me faz viajar e dormir. como vocês sabem, o único barulho capaz de me acordar às 4 horas da manhã, de sobressalto, é o de passarinhos. pelo absurdo.

adoro a selva de pedra.

reconheci!- a música. ê-ô (ê-ô) êaêaô (êaêaô) cheguei, eu fiquei, balancei, vivei, o araketu me fez dançar joga as maõzinhas pra lá. o que eu disse? matinê de cidade de interior.

é melhor eu não continuar. vocês sabem o que aconteceu da última vez que eu resolvi escrever sobre a música da balada aqui do lado. pra quem não sabe, resta dizer que tinha telletubies.

me lembrem amanhã de escrever sobre a oficina de contos, ok?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

dos galhardões

Boa noite, gente. Não tô conseguindo me organizar pra postar aqui direito - que dirá para outras coisas mais importantes, que ~curiosamente sempre estão bem abaixo da lista de prioridades - por isso eu tive essa feliz idéia de escrever agora que eu tô meio bêbada e desconfortável. Mas é que não posso deixar passar esse timing perfeito do último babado: o anúncio dos finalistas do prêmio Jabuti e do Portugal Telecom. A folha já comentou algo altamente pertinente, qual seja, que as listas compartilham 4 finalistas. Mas o climão não termina aí. Pensando que os prêmios servem, entre outras coisas, para divulgar e descobrir novos artistas e assim renovar o nosso empoeirado cânone, vai a pergunta: o que diabos gente como o Lobo Antunes e o Chacal está fazendo aí, meu deus? E a resposta é a mesmíssima da questão que envolve o aparecimento de Julian Fuks entre os colocados e faz que a lista de melhor livro de crítica literária seja a que segue:

Teoria e crítica literária"Proust: A Violência Sutil do Riso"Leda Tenório da Motta Perspectiva
"Dom Quixote - A Letra e os Caminhos"Maria Augusta Da Costa Vieira (org.)Editora da USP
"A Formação do Romance Inglês: Ensaios Teóricos"Sandra Guardini VasconcelosAderaldo & Rothschild Editores
"Riso e Melancolia"Sergio Paulo Rouanet Cia das Letras
"Orgulho de Jamais Aconselhar - A Epistolografia de Mário de Andrade"Marcos Antonio de MoraesEditora da USP
"Poetas do Atlântico - Fernando Pessoa e o Modernismo Anglo-Americano"Irene RamalhoEditora UFMG
"Escritas de Si, Escritas do Outro: O Retorno do Autor e a Virada Etnográfica"Diana Klinger 7letras (Viveiros de Castro Editora)
"Além do Visível, o Olhar da Literatura"Karl Erik Schollhammer
"Ensaios Escolhidos"Augusto Meyer José Olympio
"A Comédia Intelectual de Paul Valéry"João Alexandre Barbosa Iluminuras

Já dá pra notar a estranheza gerada pela hegemonia absoluta das editoras de São Paulo. Mas, oquei, as editoras do país são majoritariamente deste estado. Mas... E serem quase todos da Universidade de São Paulo? Dá a impressão de que nada digno de nota ocorre no resto do país, reforçando a opinião hegemônica da USP e ocultando diversos fatos obscuros que, na verdade, são indício da regionalização absoluta do ponto de vista nacional oficial. Trocando em miúdos, não é à toa que a produção brasileira de, ã... tudo, desde pino de roda de caminhão até dança clássica védica, passando por um olhar genérico do que se chama literatura, é virtualmente paulista, paulistano e sãopaulino.

E o resto que se foda...