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terça-feira, 5 de março de 2013

quero ser jodie foster


Semana passada, eu finalmente vi o discurso da Jodie Foster nos Golden Globes. É, eu sei, demorou. Mas eu nunca teria visto com as recomendações que as pessoas estavam me dando: "Nossa, a Jodie Foster saiu do armário" -- dã! A mulher saiu do armário há uns 20 anos, acho que ela nunca esteve no armário, na verdade, tinha um daqueles casamentos super longos com a agente, enfim, o que tenho eu a ver com a vida dela.

Mas, de fato, é inegável que este discurso vai ficar para a história. Porque é realmente muito raro alguém na mídia ser simplesmente... sincero. Tem alguns momentos que levam água aos meus olhos (achei a transcrição completa, em inglês, aqui) (é, aparentemente ela é amiga do mel gibson):

Mom, I know you're inside those blue eyes somewhere and that there are so many things that you won't understand tonight. But this is the only important one to take in: I love you, I love you, I love you. And I hope that if I say this three times, it will magically and perfectly enter into your soul, fill you with grace and the joy of knowing that you did good in this life. You're a great mom. Please take that with you when you're finally OK to go.

Tradução: Mãe, eu sei que você está em algum lugar atrás desses olhos e não vai entender muitas coisas que serão ditas hoje. Mas a única que é importante que você absorva é: te amo, te amo, te  amo. E espero que se eu disser três vezes, isso vai magicamente e perfeitamente entrar na sua alma, te encher de graça e felicidade por saber que você fez bem nesta vida. Você é uma ótima mãe. Por favor, leve isso com você quando finalmente estiver OK para partir.

Os fãs da Jodie Foster e do filme Contato devem ter reparado uma coisa importante. No filme, a personagem (incrível e maravilhosa, criada por Carl Sagan no livro original) batalha contra o machismo e o conservadorismo para conseguir uma vaga numa empresa espacial para conhecer outro planeta. Quando ela está, finalmente, na nave, e o chão começa a tremer, e existe a possibilidade de que ela morra como os outros cientistas que tentaram anteriormente, ela repete, muitas vezes "I'm OK to go", "Estou OK para partir". É, eu me emocionei.

E o discurso tem um final apaixonante. Caramba, me dá uns calafrios...

This feels like the end of one era and the beginning of something else. Scary and exciting and now what? Well, I may never be up on this stage again, on any stage for that matter. Change, you gotta love it. I will continue to tell stories, to move people by being moved, the greatest job in the world. It's just that from now on, I may be holding a different talking stick. And maybe it won't be as sparkly, maybe it won't open on 3,000 screens, maybe it will be so quiet and delicate that only dogs can hear it whistle. But it will be my writing on the wall. Jodie Foster was here, I still am, and I want to be seen, to be understood deeply and to be not so very lonely.

 Tradução: Isso parece o fim de uma era e o começo de alguma outra coisa. Assustador e empolgante, e agora? Bem, eu posso nunca mais estar neste palco outra vez, ou em qualquer outro palco, na verdade. Mudanças: você tem que amá-las. Vou continuar a contar histórias, emocionar as pessoas por estar emocionada, o melhor trabalho do mundo. É só que, daqui em diante, posso estar segurando outro tipo de microfone. E talvez não seja tão brilhante, talvez não esteja passando em 3.000 telas, talvez seja tão silencioso e delicado que só cachorros poderão ouvir. Mas será minha marca . Jodie Foster esteve aqui, ainda estou, e quero ser vista, ser entendida profundamente e não estar tão sozinha.

Caralho. Estar tão sozinha... Estamos todos, não é? Mas é uma daquelas coisas inconfessáveis, ainda mais quando você é uma celebridade e a sua vida é o próprio paradigma da felicidade e do sucesso. E é tão bonito que ela não seja a imagem do sucesso, que este discurso seja sobre como ser autêntico consigo mesmo e como se sentir "entendido profundamente", fazer a sua marca sutil no mundo.

Hoje eu queria ser mais como a Jodie Foster.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

scream!


vocês podem me achar tosca, caros leitores, ao dizer que adorei pânico 4, mas serão desculpados porque isso só poderá querer dizer que vocês ainda não assistiram.

pela quarta vez, o diretor wes craven brinca com as regras do terror adolescente, mas desta vez levando a meta-narrativa a níveis esquizofrênicos, na medida em que os personagens discutem, exatamente, a meta-narrativa de horror.

também há um óbvio conflito geracional, presente inclusive nas salas de cinemas, onde nós, na casa dos trinta, vamos nos juntar a todos aqueles pré-adolescentes remelentos, twitando durante o filme grandes frases iluminadoras como "estou no cinema assistindo panico 4", ou fazendo rating do filme no facebook. (o que faz pânico 4 parecer uma versão de "a rede social" com muito sangue)

afinal, como diz uma das personagens, eu não preciso de amigos, preciso de fãs.

terça-feira, 22 de março de 2011

meus cinemas que não existem mais

Cine Karim

era 1998, e eu era uma menininha do interior chegando numa cidade grande e assustadora. minha mãe e meu pai me levaram pra assistir um filme no cine Karim, na 310 Sul, uma sala que tinha mais de 800 lugares e a maior tela de cinema do país. fomos ver o filme do momento, Titanic, que tinha 3h -- nas quais segurei a vontade de mijar como uma verdadeira amazona. mas isso não é importante. a partir de então, uma relação especial se formou entre nós, eu e o leonardo... não, entre eu e o karim. assisti vários filmes lá e descobri que, pra que amigos quando você tem uma tela gigantesca de cinema?

alguns anos depois, o karim fechou. assisti o último filme que passou lá, numa sessão diurna, em que a porta empenada deixava uma fresta que formava uma cicatriz de luz no Obi Wan Kenobi.

Belas Artes

dois mil e cinco. eu era uma menininha do interior chegando numa cidade grande e assustadora, sem amigos. descobri que morava do lado de um lugar chamado cine belas artes, que eu iria frequentar assiduamente durante os 7 anos seguintes. não lembro qual foi o primeiro filme que assisti lá, mas sei qual foi o último, "O joelho de Clarice", na quinta-feira passada.

vocês vão me permitir mais esse drama: não sei por que, mas isso que dá a impressão de que agora enfrentar o mundo está um pouquinho mais cruel.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

titanic


HÁ ALGUNS dias, assisti novamente o clássico de James Cameron. (veja o desdém com que o reassisti da última vez aqui). Digo "reassisti novamente" com o pleonasmo proposital de quem já foi uma mocinha viciada nos dramas existenciais de Rose Dawson, na flor dos seus 12 anos. nunca imaginei o impacto que esse dado teria na minha biografia pessoal.

Não sei se foi a TPM, o reveillon, ou-o-quê, mas confesso que me emocionei. Nos últimos momentos do filme, a Rose idosa afirma que Jack a salvara de todas as formas que uma pessoa pode ser salva. Jack, aquele artista pé de chinelo que entende de tudo -- desde dança irlandesa até pesca no gelo. Jack, cujos comandos firmes e exatos, aliados a sua profunda erudição sobre naufrágios, salvam a vida da então aristocrata mmada Kate Winslet. Jack, cujo desprezo pelas coisas materiais o leva até a dispensar sua vida por uma pessoa que acabou de conhecer. Jack, a figura beatnik monogâmica que toda garota de 12 anos gostaria de conhecer.

Crescemos, assim, esperando que uma pessoa dessas, Jack "I'm-flying" Dawson, nos salve das nossas próprias vidas mundanas, nos resgate, no exato momento em que não vamos mais aguentar e vamos pular de cima do navio.

Mas ninguém vem nos salvar, porque todo mundo está fazendo a mesma coisa: esperando ser salvo. Todo mundo vive a mesma vida mundana e mais ou menos, tanto os aristocratas no navio, quanto os artistas sem desodorante.

De repente, o erro do filme é não mostrar o quanto Rose salvou Dawson de sua vida mais-ou-menos.

Porque o amor é isso: salvar-nos uns aos outros dos nossos próprios naufrágios.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

into the wild


Finalmente assisti "Na natureza selvagem" (2007), apesar de ter tido o poster grudado no corredor da minha casa durante algum tempo.

É muito nostálgico, para mim, porque vivi uma coisa parecida e conheci algumas daquelas frases que o Alex dizia, distribuindo lições de vida para quem encontrasse.

E também porque o filme mesmo trata o menino com uma espécie de endeusamento. Dá para antever umas pontadas de inveja do Sean Penn, quando o moleque lê os beatniks no Grand Canyon.

É difícil não se apaixonar, de qualquer forma, porque de alguma maneira aquilo é feito exatamente para isso, para impressionar as pessoas. Em vez de "tô fazendo análise para superar os meus pais", você diz "estou me enfiando no mato para conhecer a verdade sobre mim".

Ah, as pessoas! - essa entidade que vive presa à sociedade, sem ter nada de verdadeiro no seu dia-a-dia. É muita presunção pensar que você faz uma viagem, queima o seu dinheiro, desce o rio de caiaque, faz meia dúzia de coisas ilegais e, pronto, não está mais ligado a nada. É meio o sonho americano, sei lá. A ideia é fazer uma "epic journey" (a expressão é de um documentário que traduzi) pra qualquer lugar, menos pra dentro de si, menos para os outros. Porque se você reparar, o Alex não se deixa emocionar por nada que não seja ele mesmo.

Droga, eu estou destruindo o filme de novo, não é? Mas, não liguem pra mim, o filme é lindo e talvez me mova exatamente porque tem muito de mim nele.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

angústias acadêmicas 2099 - parte 3

ANOTAÇÕES de aula:

Inscrever meu desastre no rol de todos os desastres, os terremotos do Haiti, os famintos da recessão do Laos, a miséria e a pobreza, a solidão. e o balão branco -- ah, o balão branco! aquele que me afastou para sempre do cinema iraniano.

terça-feira, 2 de março de 2010

road to the oscars '10

ESTAMOS EM busca de assistir todos os filmes que estão concorrendo ao Oscar este ano. para variar, nem todos estrearam ainda no Brasil, incluindo o que possivelmente dará a Sandra Bullock o sua primeira estatueta.

ainda bem que eu não gosto da Sandra Bullock tanto assim, e acho que a Merryl Streep devia levar outro oscar pra casa pela sua surpreendente atuação em Julie e Julia. quanto mais medíocre o filme, mais o ator pode se destacar...

a única categoria que consegui completar foi "melhor animação", que realmente é a que traz os melhores filmes do ano. Coraline é maravilhoso, o Sr. Raposo é demais, mas UP! é sem dúvida o melhor filme de animação de todos os tempos. ponto.

melhor filme está fadado a ser Avatar, com seu roteiro medíocre e suas estripulias técnicas, e o oscar de melhor ator coadjuvante deve ser de Christopher Waltz, por seu monólogo sem precedentes em "Bastardos Inglórios".

melhor filme estrangeiro com certeza é onde estão as surpresas: O segredo dos seus olhos é um filmaço, com toda a força do novo cinema argentino, sem ser thriller demais, nem sentimental demais, nem crítico demais. um filme latinoamericano BOM, que você vai querer guardar na estante.

mas, infelizmente, vai ter que perder para "A fita branca", que é um filme surpreendente. assisti ontem e ainda estou impressionada. de uma sutileza avassaladora, tanto na direção quanto no roteiro, cuja história, na verdade, não é aquela que está sendo contada.

assisti educação também, que me impressionou, mesmo sem ser um filmaço. hoje é dia de assitir "um homem sério" e "amor sem escalas", num ano que está me convencendo de não ter sido tão medíocre.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

ACABEI DE voltar de ver "Educação", numa sessão no cine bombril em que o projetor falhou três vezes. se eu não estivesse sozinha, talvez tivesse me irritado, mas não. a solidão revoga o constrangimento de ter que dizer as coisas certas, tecer os comentários perspicazes que provocam respeito e empatia.

sem querer, era um pouco sobre isso que o filme dizia. não era o tema central -- nunca é, meu deus, o tema central o que nos desperta no cinema, pelo menos a mim, que já entro na sala de cinema desconfiada. o tema central é a destruição da autonomia feminina, para uma geração em que o casamento foi uma verdadeira tragédia.

hoje em dia, tragédia é querer casar, e a gente se vê tendo que justificar porque uma moça de 25 anos resolve se casar, assim, "tão nova".

e outra coisa é o que esperar da vida adulta, quando você é criado para um tipo de cultura que, como mesmo diz o filme, é difícil dizer o que é bom e o que não é, ou seja, na qual temos que nos valer de um bom gosto que nos identifique como merecedor. eu sou escolhida, eu sou diferente, meu pai acha que eu tenho que ir pra oxford, meus professores se desesperam quando eu, aparentemente, ponho tudo a perder com um casamento.

o problema é essa educação que nos propõe sermos melhores que os demais. é isso que chamamos de "bom gosto".

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

preciso fazer algumas correções e atualizações ao post de 20 de janeiro.

pra começar, o título. estava em dúvida se faria latim 3 esse semestre, contra todo o bom senso. vou fazer.

segundo, sobre os filmes: "el secreto de sus ojos" não é UM filme, mas a aposta argentina para o Oscar de 2010 (na minha opinião, uma excelente aposta, mas ainda não é nada comparado ao vencedor de 2009, o japonês "a partida", com certeza o melhor filme do ano retrasado, que, aliás, eu também vi na casa da minha avó).

avatar com certeza vai ganhar o oscar. sei pouco sobre os outros filmes (a maioria ainda nem estreou no brasil, alguns não têm nem nome em português), mas finalmente entendi, com uma revista de variedades destinada a crianças, a excelente "mundo estranho", por que foi uma revolução no cinema. eu sou uma obscurantista cética quando se trata de 3D, mas tenho que dar o braço a torcer.

terceiro, sobre a meryl streep: fui alertada por uma amiga que a meryl nem ganhou tantos prêmios assim: ela é a recordista de indicações, mas só ganhou dois oscar: melhor atriz em a escolha de sofia e melhor atriz coadjuvante em kramer vs. kramer (que ela aparece por uns 30 segundos).

sobre os últimos filmes que vi, invictus é surpreendente. não gosto do morgan freeman, nem de toda essa onda moralista roliúdiana, mas a gente acaba pensando historicamente sobre as relações sociais em países muito diferentes dos nossos. saí de lá pensando, que mundo estranho a gente vivia: apartheid na áfrica do sul, alemanha dividida... eu eim, que gente louca.

finalmente vi "o desinformante", é realmente muito legal. sátira dos filmes de espiões E baseado numa história real, esconde a face de um cara que devia estar realmente transtornado e de uma fámilia tentando lidar com uma doença séria.

e "de repente, no último verão", que foi alçado a um dos filmes da minha vida. não adianta, ninguém supera os clássicos. a katherine hepburn com aquela dicção demoníaca, a liz taylor lindíssima e uma história muito do mal.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

To latin, or not to latin?

Oi, mundo.

Tentei tirar umas férias, mas a coisa começou a ficar complicada de repente. Lição de 2009 é: apesar do que parece, você NÃO consegue fazer tudo o que quer de uma vez. Principalmente, se você fez letras e seu ideal de vida é ter muito tempo livre para ler todo o cânone ocidental.

Acabei de voltar da casa da minha avó (e passei por Caratinga, foi muito engraçado), um lugar onde as mulheres e as mães se sentem obrigadas a cozinhar, lavar e passar para os demais, digo, homens feitos e filhos também adultos. Onde o iogurte fresco está na cotação 1994, quando se podia efetivamente comprar alguma coisa com trinta centavos. E, afinal, onde não existe nenhuma livraria e as temperaturas podem chegar alegremente aos 40 graus, mínimas de 28.

Conclusão: li um livro por dia. Meu repertório foi adicionado por Simenon (não gostei), K. Dick (também overrated) e Shakespeare -- que me provou por A mais B algo que já tinha certeza desde 2008 e que agora pode ser anunciado em alto e bom som, para o terror da mais alta tradição crítica literária brasileira. Eu digo: não. Capitu não traiu o Bentinho, Helen Caldwell estava certa all along. Quem ainda defende aquele trapo desgraçado pode ler Othelo, quando a pobre Desdêmona pede por favor que o mouro a mande ao exílio para morrer.

É isso, basicamente.

Também aproveitei o tempo livre e a tradição exageradamente matriarcal da minha família para me atualizar nos grandes clássicos da sétima arte e assisti "A malvada", com a Bette Davis. Genial, genial. O que só prova que tudo o que é bom do cinema já foi feito antes dos anos 70. Vi também "El secreto de tus ojos", um filme policial argentino com o popstar Ricardo Darín, também muito bom. E "Onde moram os monstros", oferecido gentilmente pela feirinha do paraguai, antes de entrar nos cinemas no Brasil. Também imperdível.

E no cinema, vimos Avatar, que misteriosamente ganhou o globo de ouro de melhor filme (a Sandra Bullock ganhou melhor atriz, meu deus, que ano foi 2009, viu?). Aliás, Merryl Streep ganhou mais um globo de ouro: só imagino ela saindo das premiações com um saco cheio de prêmio e tendo uma parede em casa feita de ouro de Oscar derretido.

Vimos Vício Frenético, mais um filme empobrecido por essa tradução PORCA que os publicitários -- que, aliás, ganham muito mais que os pobres tradutores bolivianos vivendo em regime de semi-escravidão -- fazem. Mas muito bom, muito bom. Get those iguanas out of my coffee table. Finalmente posso justificar por que gosto tanto do Nicolas Cage.

Agora eu tenho que voltar ao trabalho. Boas férias para vocês, se aplicável. Senão, bom, feliz 2010.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

este blogue é basicamente um monte de imagens de gente lendo.


esse aqui parece o humphrey bogart lendo, mas na verdade é o phillip marlowe. reparem...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

quinta à noite: melancolia

resumo do post, para quem está tão ocupado quanto eu e prefere gastar seu tempo com coisas produtivas, mas passou por aqui por cortesia:
onde se verá um daqueles posts tipo diário, meio depressivo e a outra metade preenchida por um misto de referências aleatórias e um humor quase sutil.

resumo do post, para quem oferece alguma solidariedade:
onde o uso de palavras ao léu postergará por mais alguns momentos a finalização crucial de um trabalho, já postergado anteriormente, mas decisivo.

resumo do post, para os impacientes:
donde se verá uma coleção de resumos, postergando o propriamente dito, que por fim, postergará o trabalho mal pago que dará frutos duvidosos para a saúde mental da interessada.

por fim, o post.

meus colegas de quarto já me sacam em um segundo. literalmente. hoje o mario entrou no quarto e disse: oi. e depois da resposta, concluiu: dormiu a manhã inteira. Es cierto. viver na frente do computador tem se tornado um pouco insuportável, realçando meu comportamento, muitas vezes, exageradamente inconsequente. insaciável e inconsequente, dizia a minha mãe, quando eu ia tomar um sorvete em vez de estudar para a prova. o resultado era sempre o esperado. fracasso.

tenho trabalhado como uma judia, me disse a francesca -- ai, esses malditos europeus, cazzo.

é quase meia noite e hoje:


assisti sunset boulevard, do billy wilder. realmente sensacional. a atriz principal é uma jóia rara e dá vontade de sair por aí falando como ela.


assisti os 5 minutos que faltava para terminar blade runner, um momento postergado pelos últimos 4 anos e que não foram tão comemorados. o que eu gosto mesmo é do cabelo da Rachael, a replicante com sentimentos, mas que ela desfaz no meio do filme em prol daquele permanente nojento que foi moda pelos anos 90.


assisti irma, la douce, do billy wilder, tentando, como muitos, repetir a emoção de assistir "se meu apartamento falasse". fail. mas, pelo menos descobri que o jack lemon é mesmo insuperável e de onde vem todos aqueles trejeitos do ace ventura. jim carrey não é nada...

ontem eu vi vertigo, outra vez, e, merda, como a kim novak era ma-ra-vi-lho-sa. e falando em cabelos legais, encerro o post de hoje com o loiro mais loiro do universo...


marilyn monroe my ass

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quebra tudo!

eu adoro os anarquistas. na verdade, eu sou completamente apaixonada por eles.

meu quadrinho preferido, V for Vendetta -- não o lixo do filme (aliás, eu não sou de ficar falando mal de adaptação, mas essa foi triste). apesar de que o filme mostra muito bem a parte mais bonita do quadrinho, em que a Eve é presa por V e torturada (ok, no quadrinho é tortura de verdade, não essa lavagem de cabelo do filme), até se libertar do seu medo da morte. o que estraga tudo, na verdade, é aquele começo nojento do filme "eu não sinto falta das idéias, mas do HOMEM". ah, minha filha, vai por ai dar na moita, sei lá.

oquei, anarquistas número 2 - edukators: porque aparentemente os alemães já nascem com uma predisposição ancestral de colocar fogo em tudo. o que me lembra do anarquista número 3: joker, do cavaleiro das trevas, melhor conhecido como o filme do batman que dispensa completamente o próprio batman. aquela hora em que o michael caine, salvando o seu personagem do rebaixamento do próprio talento dramático, resume o coringa como aquele que "só quer ver o circo pegar fogo". a história dos diamantes é também muito comovente, o que faz a gente querer sacar do banco nossa poupança em notas de um real para jogar pela janela.

vejamos: temos tortura por liberdade, invasão de propriedade privada, circo pegando fogo... o que falta?

ah.

anarquistas número 4: fabricação de sabonete. taí uma adaptação que não é de todo mal. mas o que "bota pra fuder", como diria o estádio do pacaembu em final de campeonato, é mesmo el libro. todo o esquema de um exército do caos fica muito mais claro, e o tyler te dá um medo feroz. faz assim, joga o livro pro alto, coloca fogo no quarto e... vai pra cozinha fazer sabonete!

anarquistas 5: no espaço sideral. pra sentir aquela vontade de chutar o balde e ir pra lua e começar toda uma civilização do zero, só mesmo "os despojados", da nossa querida musa Ursula le Guin. um hino de amor aos nossos ideais mais inusitados, que a gente guarda bem dentro de si. ah, e com uma pitada de drama acadêmico -- se você estiver entregando um relatório, se joga na catarse, porque o personagem principal é um físico.

até eu lembrar de outros, fica aí o top 5.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

tô que nem a júlia, vou contar um segredo: tô bem cansada de ouvir minha própria voz - o que é um primeiro passo para algo grandioso!, talvez uma tese de mestrado ou mais um sonho apocalíptico.

é desse jeito que eu vou continuar falando pela voz dos meus amigos, porque sou generosa como um gigante mau, porque só gente me emociona e é por isso que eu nunca virei vegan.

ontem a gente assistiu sinédoque nova iorque, que tem esse nome pimbástico, e é meio difícil de engolir às vezes, com aquelas musiquinhas de lição de vida. mas foi lindo ver que o charlie kauffman roubou uma das minhas frases preferidas de mim mesma - "todo mundo é protagonista da propria vida" - que também só pode ser proferida por alguém que simplesmente não consegue parar de pensar em si mesmo, e é por isso que eu nunca quis me comprometer muito com essa autoria.

enfim. pensando sobre o assunto - porque eu preciso de uns dias de digestão - o ponto alto do filme é como ele consegue te traduzir a cena pelas imagens e meio assim ao acaso, o que lembra muito aqueles detalhes maravilhosos do brilho eterno. tem uma casa pegando fogo, por exemplo, e você não sabe bem por que. e é uma daquelas lógicas de sonho, que fazem sentido na hora, mas depois, quando você conta para alguém, vê que a coisa não tem nem começo-meio-fim.

(nos meus pesadelos, por exemplo, tem sempre alguém olhando fixamente pra mim, apesar de eu não estar no sonho)

e aquela impressão do infinito, quando o cara está dirigindo aquele monte de atores, que fazem o papel das pessoas reais. e, em certo ponto, a coisa parece se multiplicar ao infinito, como quando você põe a filmadora na frente da tevê, ou como no pote de pó royal - tão injusto ensinar o infinito pras crianças, cara...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

a tão esperada vingança dos nerds


Não sei porque direito, mas todo filme que eu assisto esses dias tem o Seth Rogen.

já falei como vi 6 vezes seguidas Ligeiramente Grávidos (sem contar todas as outras vezes que vi Superbad, over and over)

E o novo filme do Kevin Smith, de tradução odiosa, porque vício é vício e vício antigo é PHODA. (pensando nisso, lembra quando a gente tinha que escrever os palavrões assim porque senão o weblogger apagava?)

E - chocante - a nova animação da dreamworks Monstros vs Alienígenas, que a minha colega de trabalho disse que nunca ia ver porque detesta filme de terror, em que o Seth faz o papel do Bob, a gosma azul, único brinquedo esgotado do mc lanche feliz.

Isso tudo é porque nerd maconheiro tá na moda? é tudo um fenômeno, combinado com outros produtos nerds como the big bang theory? será que, a longo prazo, os nerds vão catar mais gente que os quaterbacks? será que ser nerd não será mais um traço distintivo e seremos todos reintegrados à sociedade? será o fim do mundo como o conhecemos?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

vampiros 2

UPDATE: acabei de assistir ao famigerago teenager Crepúsculo, estrelando a menina inexpressiva e o vampiro feio. vampiro feio, caramba. isso é tudo o que um vampiro não pode ser. (Tô pulando a parte de dizer que o filme é orriveo) aliás, como pode, num mundo, existir um vampiro adolescente? não é um contrasenso? tipo a kristen dunst no entrevista com o vampiro...

minha cultura vampírica tá entrando em colapso...

ah, e só o argumento final: não tem beijo, (só um, eu acho) é tipo dawsons creek encontra bollywood. imagina o estrago...

segunda-feira, 16 de março de 2009

extras

o dvd do "ligeiramente grávidos" não desaponta: os extras valem às vezes muito mais que o filme. repetindo o mesmo fenômeno dos extras de "superbad", o melhor filme desse diretor que eu não sei quem é, todas as cenas deletadas, os mini-documentários e os erros de gravação são completamente obrigatórios, e tornam a compra do dvd inevitável.



nada mais a dizer.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

my heart will go on and on

pra comemorar o oscar da kate - quase chorei - assisti ao clássico dos clássicos, o brega dos bregas, o único e inesquecível...



TITANIC!

o flashback 1998 me fez perceber que sim, superamos muito da breguice original steven spilberg/james cameron, que tudo que existe tinha que ser um épico e todas as musicas parecem a trilha do jurassic park.

ainda assim, a cena inaugural do titanic é breathless - quando a kate sai do carro, com aquele chapéu lindo, aquele cabelo vermelho, reclamando de tudo.


"but inside i was screaming"

a canastrice só aumenta, enquanto rose se mostra uma mulher culta e moderna, inteligente e rebelde, inadaptável àquela sociedade tétrica e superficial. o ponto alto é quando ela leva o madmoseilles de avignon do picasso pra dentro do quarto dela, junto com um van gogh, um monet e mais outros quadros de cartão postal. "mas isso não é arte, minha querida". fantástico.

se sentindo, entao, engolida por esse universo hostil, ameaçada pela violencia do marido machista e inflexível, ela resolve se jogar. do navio.

a rebelde e suicida kate winslet é salva pelo personagem mais insuperável do cinema, já que leonardo di caprio nunca se livrará do encosto de ... jack dawson, um artista incompreendido e dorme-sujo, que devia ser fedorento e ter piolho, mas de repente parece circular muito bem nos meios grã-finos da alta sociedade titaniquense. nunca esqueceremos aquele gel, leo.



as próximas duas horas são óbvias. como diria o puckhin, o leitor me poupará de descrever o final. até porque não existe uma santa alma que nunca tenha visto taitâniqui. o que, sim, precisa ser dito é que o flashback nos mostra claramente a diferença dos padrões de beleza do final do século xx pra hoje:



só olhar pra kate nesse vestido - e que vestido - pra saber que nos anos 90, nós gordinhas tínhamos um lugar ao sol. ninguém morria de anorexia por aí, nem saía se regozijando por ser um manequim 0.

além disso, só nostalgia...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

os marcianos estao chegando

já adiantando que os próximos meses seráo de expectativa, porque se aproxima o talvez mais arbitrário prêmio do cinema mundial, o Oscar 2009, que ainda nem anunciou seus candidatos, mas que, com certeza, contará com presenças inexplicáveis. para o nosso bolão, você pode equacionar as variantes tradicionais: favoritismo, presença no globo de ouro e em cannes, tempo sem ganhar o prêmio, estardalhaço na mídia, moralismo barato, etc etc OU ENTÃO fazer como o nosso campeão atual e equacionar tudo matematicamente, no sentido de prever a aparente imprevisível ordem dos eventos.

quanto a mim, acho que prefiro o globo de ouro. só porque é de tarde, os vestidos são mais bregas, e não tem aqueles discursos americanóides de quanto o cinema é importante porque nos faz sonhar.

e gosto ainda mais deste globo de ouro, porque...

heath ledger não morreu em vão...



... mas pra receber esse discurso inssoso.

e a kate winslet não dá ponto sem nó:




"desculpa pela lista longa, gente, mas eu estou acostumada a NÃO ganhar as coisas..."



"im sorry, angelina!"

e, como notou um internauta perspicaz:



"fuck!"