sábado, 7 de novembro de 2009

sobre o livro...

"Se este livro vier jamais a sair, que dele se afastem os profanos, Pois escrever é coisa sagrada onde os infiéis não tem entrada. Estar fazendo de propósito um livro bem ruim para afastar os profanos que querem 'gostar'. Mas um pequeno grupo verá que esse 'gostar' é superficial e entrarão adentro do que verdadeiramente escrevo, e que não é 'ruim' nem 'bom'."

Clarice Lispecor, In Um Sopro de Vida, conforme resgatado pela Lili, com muito amor e carinho...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Algumas pessoas a vida inteira já preferem animais a seres humanos. Os velhos, gostam mesmo é de plantas.

do livro do suricate.
Não há nada mais cansativo do que a defesa da literatura por parte de seus tantos amantes. Considerada desde os tempos medievais como inútil e combatida como supérflua, a literatura necessita se justificar constantemente. Talvez por vivermos acuados nesse mundo que nos demanda tanta praticidade, nós, os estudiosos da literatura, acabamos nos ressentindo e começamos a exagerar a respeito das excelsas funções da literatura. Não raro, resvalamos numa espécie de nefelibata idealismo, e esquecemos que, ao fazer isso, tornamos a literatura ainda mais enleada de mistificações.

parentese

(eu pensei em colocar um titulo no post abaixo, e pensei numa lista de palavras legais que eu fiz ontem, para o futuro

- sambarilove
- paparicar
- zidane no inimigo

é claro que nenhuma se encaixa, mas a beleza é essa mesma, como diria borges, a ciencia da anacronia, que na verdade é só mais uma especie de nonsense.

mas ai eu lembrei porque parei de colocar titulo aleatorio nas coisas, e, assim, cheguei à razão de ser do titulo, que é organizar as coisas.

de repente, estou as voltas com o mesmo problema.)
na minha mesa, o quixote empilha o contrato de estágio, que empilha o modem, que empilha as contas para pagar, sugerindo uma organização estranha, na mesma medida que brutalmente verdadeira, das prioridades da minha vida.

do lado esquerdo, entretanto, uma caneca de chá frio empilha uma casca de banana, o que nos leva a questionar qual será o verdadeiro poder metafórico das coisas.

domingo, 1 de novembro de 2009

cacilda...

terça-feira, 27 de outubro de 2009




cara, é o site mais genial EVER.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009



Desde ficções, nevver.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

domingo à noite: el rumblo

recuperado de arquivos perdidos na chuva, em casas alheias

o que fazer com aquela roupa velha que você não quer mais?

campanha do agasalho?

exército da salvação?

fogueira de festa junina?

e quando ela já está num saco do pão de açúcar com um papel colado na frente escrito LIXO. e você começa a pensar o que será do resto das roupas que combinam com essa. e desiste.

e elas continuam ocupando aqueles espaços incômodos do seu armário, que deveria estar reservado para as surpresas das roupas vindouras.

segunda à noite: vodka tônica

donde o álcool impede uma versão fidedigna das lembranças

não beba sozinho segunda à noite. nunca.

desapareça de casa no final de semana e convide um amigo mais feliz que você para ir ao supermercado. compre tônica. misture com vodka demais. deixe que seu amigo te embebede serenamente, deixando as coisas sairem da sua boca sem querer, ele, impassível, com um saco de doritos.

reserve.

junte com maria bethânia.

domingo, 4 de outubro de 2009

sábado à noite: conspiração

donde prosseguem os sucessos da noite anterior.

o que pouca gente sabe é que amor é um sentimento essencialmente individual. ele se manifesta, com todo o seu orgulho, com uma independência flamejante do resto do mundo, sob pena deste mesmo mundo, que assiste, com certo regozijo, ao estrago que ele faz.

e, no entanto, todos amamos, apesar do contrato com a humilhação.

amar é uma bomba relógio.

e, se pensarmos bem, assim é também a vida -- isso eu explicava para a Liane, horas antes do fim da noite de sábado, o fim da história do post, a conclusão final da epopeia. ela me dizia da auto-flagelação que era fazer uma tatuagem, inscrever algo no corpo que nao se pode tirar, no quanto é limitadora a experiencia. e eu dizia, já com uns litros de cerveja, ora, mas isso é a vida: marcas permanentes. o que é limitador é não fazê-las pela própria vontade e, enfim, toda outra sorte de ensinamentos de vida que só as 4 da manhã de sábado pode trazer para você.

voltamos para casa em seguida e dormimos. a manhã chegou e uma porta finalmente estava fechada e eu percebi, para o meu alívio, que meu problema era coração partido.

sábado, 3 de outubro de 2009

sexta à noite: revelação

sem resumo de post

levantei e saí. chega. já tinha taquicardia porque sabia que não estava fazendo como devia, quanto devia e que por aí as pessoas achavam que eu era aquela que ficava em casa o dia inteiro, trabalhando, trabalhando.

por volta da uma hora da manhã, eu e a lina resolvemos recriar na Paulista algumas cenas do after hours, perdendo deliberadamente a chave de casa e jogando dinheiro pela janela do taxi.

terminou com uma conta alheia de 180 reais num bar desconhecido e uma tatuagem xavante.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

quinta à noite: melancolia

resumo do post, para quem está tão ocupado quanto eu e prefere gastar seu tempo com coisas produtivas, mas passou por aqui por cortesia:
onde se verá um daqueles posts tipo diário, meio depressivo e a outra metade preenchida por um misto de referências aleatórias e um humor quase sutil.

resumo do post, para quem oferece alguma solidariedade:
onde o uso de palavras ao léu postergará por mais alguns momentos a finalização crucial de um trabalho, já postergado anteriormente, mas decisivo.

resumo do post, para os impacientes:
donde se verá uma coleção de resumos, postergando o propriamente dito, que por fim, postergará o trabalho mal pago que dará frutos duvidosos para a saúde mental da interessada.

por fim, o post.

meus colegas de quarto já me sacam em um segundo. literalmente. hoje o mario entrou no quarto e disse: oi. e depois da resposta, concluiu: dormiu a manhã inteira. Es cierto. viver na frente do computador tem se tornado um pouco insuportável, realçando meu comportamento, muitas vezes, exageradamente inconsequente. insaciável e inconsequente, dizia a minha mãe, quando eu ia tomar um sorvete em vez de estudar para a prova. o resultado era sempre o esperado. fracasso.

tenho trabalhado como uma judia, me disse a francesca -- ai, esses malditos europeus, cazzo.

é quase meia noite e hoje:


assisti sunset boulevard, do billy wilder. realmente sensacional. a atriz principal é uma jóia rara e dá vontade de sair por aí falando como ela.


assisti os 5 minutos que faltava para terminar blade runner, um momento postergado pelos últimos 4 anos e que não foram tão comemorados. o que eu gosto mesmo é do cabelo da Rachael, a replicante com sentimentos, mas que ela desfaz no meio do filme em prol daquele permanente nojento que foi moda pelos anos 90.


assisti irma, la douce, do billy wilder, tentando, como muitos, repetir a emoção de assistir "se meu apartamento falasse". fail. mas, pelo menos descobri que o jack lemon é mesmo insuperável e de onde vem todos aqueles trejeitos do ace ventura. jim carrey não é nada...

ontem eu vi vertigo, outra vez, e, merda, como a kim novak era ma-ra-vi-lho-sa. e falando em cabelos legais, encerro o post de hoje com o loiro mais loiro do universo...


marilyn monroe my ass

sábado, 26 de setembro de 2009

livro, filho, árvore

escrevi um livro. e traduzi mais alguns, mas aparentemente isso não conta para os grandes objetivos de vida.

filho eu vou adotar, no meio dos trinta.

e árvore... cara, não plantei, mas cuido de um lindo ficus há 3 anos. ele deve ser uma árvore logo.

não tenho escrito muito porque me sinto burra, e com razão. fazer o que eu faço às vezes é bestializante.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

RIP Patrick Sayze

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

clarice lispector

Outside Latin America, I found to my dismay very few people knew her, and I long wondered why. Was it because she wrote in Portuguese, a language whose literary productions were so invisible outside its own territory that it was once nicknamed "the tomb of thought"? Was it because nobody expects the greatest Jewish writer since Kafka to be a part-time beauty columnist whose Chanel suits and wraparound sunglasses made her look more like a Rio socialite than a mystic genius?

Or was it precisely because she was a Jewish woman in a literary economy that expects a Latin American writer to be a mustachioed chronicler of jungles and slums? Whatever the reason that the man on the street does not know Clarice Lispector, I started discovering, once I embarked on the half-decade project of writing her biography, "Why This World [3]", that Clarice was a secret passion that many people, often prominent writers, had cherished for years. Members of this hidden fraternity would pop up all over the world. And they got the same crazed glint in their eye that I got when speaking of her. Colm Tóibín, at a wedding in Italy, rushed up to me to proclaim his love for her, and said he would do "anything anything!" to get more people to read her. Orhan Pamuk, who had read "The Passion According to G.H." in Turkish, confessed at breakfast in Stockholm one morning that he had been fascinated by her ever since. Guillermo Arriaga, a famous Mexican novelist and screenwriter, said that you can’t read Clarice Lispector without falling in love with her.


Benjamin Moser, para o The Economist.

domingo, 13 de setembro de 2009

sera que vela como eu?

sera que chora como eu?
sera que pergunta por mim?

-- nao é maria bethania, é a indomada.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

eu tava a toa na vida

hoje eu acordei de madrugada com os latidos do meu cachorro, que estava dormindo do meu lado, no sofá. acordei, nem abri o olho direito, mas disse pra ela: - ou você desce e vai latir pra coisa que você está latindo, ou você pára de latir, entendeu?

ela ficou um pouco contrariada. e já quando eu começava a pegar no sono de novo, senti ela descendo do sofá e ir latir para o entregador de jornal.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

hoje eu tive uma conversa meio estranha na cozinha... me lembrou esse poema, meu preferido aos 15 anos...

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

florbela espanca

sábado, 29 de agosto de 2009

querido diario,

chá de boldo tem aquele cheiro que eu já sei que fiz alguma coisa errada. fico procurando o quê.

então, o meu horóscopo me diz que vênus está passando na minha casa 5, ou seja, Prazer: esta palavra curta e simples sintetiza perfeitamente o momento que vai de 29/08 (Hoje) a 23/09 em sua vida, Vina.

Não dá pra lutar contra os astros.

O que o personare não sabe, no entanto, é que tenho dois filmes para entregar na segunda EEEE hoje é o mc dia feliz. (que em breve vai virar meu mc ressaca). ou seja, nada remotamente parecido com prazer vai acontecer este final de semana. too bad. paulo coelho me ensinou que é bom quando o universo conspira a seu favor -- só não sei exatamente se o "favor" é trabalhar e ganhar dinheiro OU é algo que envolva chá de boldo no dia seguinte.

ia falar mais uma coisa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"notadamente, no hay clasificación del universo que no sea arbitraria y conjetural. La razón es muy simple: no sabemos qué cosa es el universo. (...) Cabe ir más lejos; cabe sospechar que no hay universo en el sentido orgánico, unificador, que tiene esa ambiciosa palabra. Si lo hay, falta conjeturar su propósito; falta conjeturar las palabras, las definiciones, las etmologías, las sinonimias, del secreto diccionário de Dios."

Borges, "El idioma analítico de John Wilkins", In Otras Inquisiciones, 1952.

please say something

ENQUANTO estou traduzindo um documentário sobre tubarões, tenho uma amiga que está com um problema. e, como ela não lê este blogue, vamos falar sobre isso.

ontem, o horóscopo dela disse que era pra sair de casa e encontrar os amigos. e quando a vi passar na rua, desde o boteco onde eu estava, a cem metros eu sabia que ela tinha passado o dia chorando.

mas ela não disse nada, nem eu perguntei. porque amigo a gente sabe que quando começa a tratar a gente mal é porque tem alguma coisa errada.

bom. mal sabéamos que estávamos indo em direção ao nosso fim: o sol poente entre os prédios, aquela descida vertiginosa na augusta, a rua deserta.

caminhamos em direção ao sol.

festival de curtas (2)

sábado, 22 de agosto de 2009

festival de curtas 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

"Creio (...) que a organização e a aclaração, ainda as medíocres, de um algébrico assassinato ou de um duplo roubo, comportam mais trabalho intelectual do que a caseira elaboração de sonetos perfeitos ou de incômodos diálogos entre desocupados de nome grego ou de poesias em forma de Karl Marx o de ensaios sinistros sobre o centenário de Goethe, o problema da mulher, Góngora precursor, a étnica sexual, Oriente e Ocidente, a alma do tango, a desumanização da arte, e outras inclinações da ignomínia".

Borges, em forma.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quebra tudo!

eu adoro os anarquistas. na verdade, eu sou completamente apaixonada por eles.

meu quadrinho preferido, V for Vendetta -- não o lixo do filme (aliás, eu não sou de ficar falando mal de adaptação, mas essa foi triste). apesar de que o filme mostra muito bem a parte mais bonita do quadrinho, em que a Eve é presa por V e torturada (ok, no quadrinho é tortura de verdade, não essa lavagem de cabelo do filme), até se libertar do seu medo da morte. o que estraga tudo, na verdade, é aquele começo nojento do filme "eu não sinto falta das idéias, mas do HOMEM". ah, minha filha, vai por ai dar na moita, sei lá.

oquei, anarquistas número 2 - edukators: porque aparentemente os alemães já nascem com uma predisposição ancestral de colocar fogo em tudo. o que me lembra do anarquista número 3: joker, do cavaleiro das trevas, melhor conhecido como o filme do batman que dispensa completamente o próprio batman. aquela hora em que o michael caine, salvando o seu personagem do rebaixamento do próprio talento dramático, resume o coringa como aquele que "só quer ver o circo pegar fogo". a história dos diamantes é também muito comovente, o que faz a gente querer sacar do banco nossa poupança em notas de um real para jogar pela janela.

vejamos: temos tortura por liberdade, invasão de propriedade privada, circo pegando fogo... o que falta?

ah.

anarquistas número 4: fabricação de sabonete. taí uma adaptação que não é de todo mal. mas o que "bota pra fuder", como diria o estádio do pacaembu em final de campeonato, é mesmo el libro. todo o esquema de um exército do caos fica muito mais claro, e o tyler te dá um medo feroz. faz assim, joga o livro pro alto, coloca fogo no quarto e... vai pra cozinha fazer sabonete!

anarquistas 5: no espaço sideral. pra sentir aquela vontade de chutar o balde e ir pra lua e começar toda uma civilização do zero, só mesmo "os despojados", da nossa querida musa Ursula le Guin. um hino de amor aos nossos ideais mais inusitados, que a gente guarda bem dentro de si. ah, e com uma pitada de drama acadêmico -- se você estiver entregando um relatório, se joga na catarse, porque o personagem principal é um físico.

até eu lembrar de outros, fica aí o top 5.