sexta-feira, 4 de maio de 2007

A Idade Média, naturalmente...

Hoje me deparei com um livrozinho fabuloso lá na biblioteca, "Pós Escrito a O nome da rosa", do Umberto Eco, naturalmente. Na verdade, o que me impressionou bastante é a clareza e o humor de um texto que inclui citações em latim, densa teoria literária e estudos obscuros medievalistas. É verdade que eu adorei O nome da rosa, e este livro me ajudou a finalmente entender algumas coisas - como aquele nebuloso final.
Tá, acabaram os comentários pimbas.
Apesar de o livro ter virado filme com o Sean Connery, acho pertinente afirmar que o trecho abaixo é um spoiler:

"A Idade Média, naturalmente...

Escrevi um romance porque me deu vontade. Creio que seja uma razão suficiente para alguém pôr-se a narrar. O homem é um animal fabulado por natureza. Comecei a escrever em março de 1978, movido por uma idéia seminal. Eu tinha vontade de envenenar um monge. Creio que um romance possa nascer de uma idéia desse tipo, o resto é recheio que se acrescenta ao longo do caminho. A idéia devia ser mais antiga. Mais tarde, encontrei um caderno datado de 1975, onde eu tinha estabelecido uma lista de monges de um mosteiro impreciso. Nada mais. A princípio, comecei a ler o Traité des poisons de Orfila - que tinha comprado vinte anos antes de um buquinista às margens do Sena, simplesmente por fidelidade a Huysmans (Là bas) . Como nenhum dos venenos me satisfazia, pedi a um amigo botânico que me indicasse uma substância que possuísse determinadas propriedades (que fosse absorvível através da pele, ao manusear alguma coisa). Destruí imediatamente a carta em que me respondia não conhecer um veneno para este caso, por se tratar de documentos que, lidos em outras circunstâncias, poderiam levar alguém à forca."
(p.16, tradução de Letizia Zini Antunes e Álvaro Lorencini)

Acabei de lembrar de um ensaio (comentário, texto, sei lá...) que Eco escreveu para a Entre Livros (ou para outra coisa da qual foi expropriado) dizendo que, em uma pesquisa feita entre italianos, mais de sessenta por cento responderam ser Sean Connery o autor de O nome da rosa.

7 comentários:

Nai disse...

o que seria do mundo sem os dotes literários do mais famoso james bond, não é mesmo? :)

vina apsara disse...

total

Ceará! disse...

Eu li o livro pensando em vc...
acho q eu tinha lido em algum lugar q o veneravel jorge era baseado nele mesmo, e durante a leitura me toquei, "Jorge de Burgos", ahn ahn?
Bjos, magnífica!

deia disse...

É o monge 007!

vina apsara disse...

nossa, esse livro totalmente ganhou o meu dia...

Pierre Menard disse...

Sean Conney, autor de O nome da Rosa?

muito interessante...

Anônimo disse...

hahahahahahahahahahahahahahahahaha

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