segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ausência

Por causa da minha longa separação desse blogue.
Por causa das ausências voluntárias que são especialmente dolorosas.
Pelas coisas que não fazem mais sentido, graças a deus.
Pelas rugas das coisas que a gente aprende, de alguma forma cósmica e desconhecida.
Pela atual ausência de sentido do mundo.

Ora, só há ausência do outro: é o outro que parte, sou eu que fico. O outro vive em eterno estado de partida, de viagem; ele é, por vocação, migrador, quanto a mim, que amo, sou por vocação inversa, sedentário, imóvel, disponível, à espera, fincado no lugar, não resgatado como um embrulho num canto qualquer da estação. A ausência amorosa só tem um sentido, e só pode ser dita a partir de quem fica - e não de quem parte: eu, sempre presente, só se constitui diante de você, sempre ausente. Dizer a ausência é, de início, estabelecer que o sujeito e o outro não podem trocar de lugar, é dizer: "Sou menos amado do que amo".

R
oland Barthes, Fragmentos do discurso amoroso. Indicado para todos que almejam amar melhor um dia.

3 comentários:

nai disse...

eu achei um livro absurdamente assustador. ele traduz todas aquelas experiências que os apaixonados sempre pensam intraduzíveis, porque o meu caso é diferente, é único, é especial. E não deixa de ser especial, e único, por causa disso.
(foi mal, to brega. mas eu não tenho nada nessa vida mesmo, então que se foda)

vina apsara disse...

que livro?

Nai disse...

uai, esse.