quarta-feira, 20 de agosto de 2008

mandinga

Está cada vez mais difícil postar. Como diria Paulo Coelho, o mundo não conspira a meu favor neste momento crítico. serão todos os momentos críticos?

este era o post que comecei a escrever hoje de madrugada e parou pela metade:

Querido diário

hoje eu acordei meio deprimida. sonhei que o emprego da minha vida era trabalhar para uma editora, procurando livros que fossem parecidos com "quem mexeu no meu queijo". era bem sucedida e muitas vezes fazia questão de mostrar para os outros como as editoras de auto-ajuda finalmente davam valor ao meu talento, coisa que ninguém mais fazia. o mais legal era que, quando ninguém da firma tava olhando, eu dava uma escapadinha para o lavabo feminino para dar mais uma lidinha do 2666, o livro de mais ou menos essa quantidade de páginas, do Bolaño.

depois disso, muitas perguntas pairam no ar, prescrutante leitor:

Vou inventar agora perguntas que pairam no ar, porque eu já esqueci quais pairavam ontem de madrugada:
a) que tipo de constrangimento social faz alguém ler um livro de duas mil páginas no banheiro?
b) desde quando editoras de auto-ajuda dão valor ao talento de alguém? elas não publicam livros pras pessoas aprenderem a fazer isso sozinhas? não é esse o conceito de auto-ajuda?
c) será que existe auto-ajuda for dummies? e se alguém traduzisse a série e fizesse, sei lá, latim para idiotas, será que as pessoas comprariam?
d) o que meu subconsciente quer me dizer com isso?
mais importante de tudo, e) ainda se constróem lavabos?

Pairando com essas duvidas na cabeça, peguei o ônibus errado e ouvi a nova propaganda da Chevrolet:

Eu sou paulista, sabe como é
Quem é paulista vai de Chevrolet


Que, além de idiota, é uma idéia muito, muito burra, porque:
alfa) a maior parte das pessoas de São Paulo não é paulista;
beta) a propaganda dá a entender que a principal característica dos paulistas é "trampar" e "dar duro o ano inteiro", reforçando o esteriotipo que todo o resto do brasil tem a respeito dos paulistas, mas que não é necessariamente o que eles pensam de si mesmos (o que os fariam pessoas muito tristes), fazendo a parte "eu sou paulista" entrar em uma certa dúvida;
gama) são paulo é a cidade campeã em congestionamento, as seguradoras de carros começam a emprestar bicicletas para os seus clientes, os estacionamentos custam uma corrida de táxi, entre grande sorte de paradoxos. é lógico que a concercionária não tá nem aí com as condições do motorista depois que ele compra o carro, mas a condição sócio-histórica-cultural-estacionamentista só faz ser ainda mais ridícula uma propaganda voltada para os nativos.

Enfim. Você que é publicitário/a, por favor me desculpe o desabafo, mas propaganda é um lixo.

menos a nova das havaianas:


7 comentários:

lili disse...

quel, não se desculpe pros publicitários! eles que tem que se desculpar pra gente

aqui a propaganda é quem é brasiliese tem que ir de chevrolet, aargh

ah, aqui em casa tem um lavabo!

:: juliana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
:: juliana disse...

revelando toda a minha falta de leitura de casa cláudia: qual a diferença entre um lavado e um banheiro?

tipo.. não ter chuveiro? isso é técnicamente tão rígido assim? privada+pia=lavabo, privada+pia+chuveiro=banheiro. certo. agora eu me pergunto, lá na casa dos meus pais tem, então, um lavado e um cômodo que tem apenas (!) o chuveiro. o que seria isso, um não-lugar?

nem o banho é mais tranquilo hoje em dia. ah, mano, isso me lembrou de um negócio.. depois te falo.

(pronto. agora, sim.)

lili disse...

falar pra mim ou pra quel?

ju, acho que os banheiros hoje em dia são fragmentados...

vina apsara disse...

cara, eu detesto fofoca pela metade.

e acho mó mistério esses "cometario removido pelo autor"... uuuuuu!

:: juliana disse...

com a evasão da quel, só posso sustentar que o discurso fragmentado de raquel parrine sobre a nova arquitetura íntima deixa a desejar em seu blog, o palco de debate atual para o tema!

eu conto pras duas, oras.
mas não pode mesmo ser aqui. se bem que ela merecia, unf. vou até tirar fotos! vou fazer um post especial via e-mail ;p

Paulo Rená da Silva Santarém disse...

Bom, fora a mania da Quel de sonhar com profissões, achei sensacional a dúvida e vou dar uma de analista.

Quel, muitas coisas fariam pessoas ler bons livros escondido. Na sua distopia, seria a vergonha de ler algo com um mínimo de arte e menos mercantilismo travestido de auto-ajuda. Sem ir tão longe, eu diria que as pessoas lêem no banheiro coisas para passar o tempo, sem se esconder de nada. A não ser adolescentes que "lêem" revistas pornográficas ou eróticas no banheiro. Aí é mó segredo. Mas nada que chegue perto desse segredo da Ju, nunca revelado em público.

Quem sabe, um dia, esse segredo até vire livro, desses que a gente lê escondido.