terça-feira, 19 de julho de 2011

um post por dia

ÃS VEZES eu fico pensando que o nonsense não é uma coisa bem apreciada. se tivéssemos agora um concurso de poesia, duvido que aquela que não tivesse um propósito específico, uma agenda, uma força organizadora e explicativa poderia ganhar o prêmio.

e também porque o nonsense envolve algum humor. e tem que ser sempre despretencioso e escritor despretencioso é uma safra que não nos dá o ar da graça há bastante tempo. no fundo, como diria leyla perrone-moisés: "Foi somente a partir do romantismo que ela [a literatura] passou a ter o sentido que, em parte, tem ainda hoje: textos escritos numa linguagem particular, que interrogam e desvendam o homem e o mundo de maneira aprofundada, complexa, surpreendente.".

eu tenho medo de uma literatura que desvende o homem /reginaduarte. Que desvende o mundo. é como se a literatura fosse o manual didático da existência na terra, quando, na maior parte das vezes ela é complicada, ambígua, moralmente estranha.

e viva a estranheza, viva as coisas que a gente não entende, mas que de alguma maneira mágica conseguimos dialogar, manipular, confeccionar. viva o nonsense.