quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

into the wild


Finalmente assisti "Na natureza selvagem" (2007), apesar de ter tido o poster grudado no corredor da minha casa durante algum tempo.

É muito nostálgico, para mim, porque vivi uma coisa parecida e conheci algumas daquelas frases que o Alex dizia, distribuindo lições de vida para quem encontrasse.

E também porque o filme mesmo trata o menino com uma espécie de endeusamento. Dá para antever umas pontadas de inveja do Sean Penn, quando o moleque lê os beatniks no Grand Canyon.

É difícil não se apaixonar, de qualquer forma, porque de alguma maneira aquilo é feito exatamente para isso, para impressionar as pessoas. Em vez de "tô fazendo análise para superar os meus pais", você diz "estou me enfiando no mato para conhecer a verdade sobre mim".

Ah, as pessoas! - essa entidade que vive presa à sociedade, sem ter nada de verdadeiro no seu dia-a-dia. É muita presunção pensar que você faz uma viagem, queima o seu dinheiro, desce o rio de caiaque, faz meia dúzia de coisas ilegais e, pronto, não está mais ligado a nada. É meio o sonho americano, sei lá. A ideia é fazer uma "epic journey" (a expressão é de um documentário que traduzi) pra qualquer lugar, menos pra dentro de si, menos para os outros. Porque se você reparar, o Alex não se deixa emocionar por nada que não seja ele mesmo.

Droga, eu estou destruindo o filme de novo, não é? Mas, não liguem pra mim, o filme é lindo e talvez me mova exatamente porque tem muito de mim nele.

7 comentários:

vina apsara disse...

acho que se você inspira as pessoas a sair por aí queimando dinheiro, tá valendo

Gomez disse...

Queimar dinheiro e abandonar o carro.

Tata Marques disse...

tem tanta coisa que eu acho e é muito disso aí que vc escreveu.

vina apsara disse...

e comer plantas selvagens. nao, isso nao...

pode crê, tata.

andre disse...

o protagonista me deixava irritado frequentemente com seu egocentrismo e presunção. mas eu gostei do filme. ela dá uma boa lição aos smart asses.

Paulo Rená da Silva Santarém disse...

Eu acho que o filme só forma um "todo" no final, exatamente quando o Supertramp finalmente entende e expressa essa sensação que, a cada babaquice dele, vai incomodando quem assiste ao filme. O que ele faz com o velho, por exemplo, é desumano. Mas no final, de uma forma bastante não piegas, ele finalmente entende.

E é um dos poucos casos em que o filme faz jus ao livro, no caso, uma biografia escrita por um jornalista da Rolling Stone que se interessou pela vida do Alex a partir de uma reportagem que ele escreveu. Pena que esqueci o maldito livro num avião, voltando de SP. Agora o livro está na sociedade selvagem...

vina apsara disse...

sei lá, lição de vida dá preguiça...