segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

titanic


HÁ ALGUNS dias, assisti novamente o clássico de James Cameron. (veja o desdém com que o reassisti da última vez aqui). Digo "reassisti novamente" com o pleonasmo proposital de quem já foi uma mocinha viciada nos dramas existenciais de Rose Dawson, na flor dos seus 12 anos. nunca imaginei o impacto que esse dado teria na minha biografia pessoal.

Não sei se foi a TPM, o reveillon, ou-o-quê, mas confesso que me emocionei. Nos últimos momentos do filme, a Rose idosa afirma que Jack a salvara de todas as formas que uma pessoa pode ser salva. Jack, aquele artista pé de chinelo que entende de tudo -- desde dança irlandesa até pesca no gelo. Jack, cujos comandos firmes e exatos, aliados a sua profunda erudição sobre naufrágios, salvam a vida da então aristocrata mmada Kate Winslet. Jack, cujo desprezo pelas coisas materiais o leva até a dispensar sua vida por uma pessoa que acabou de conhecer. Jack, a figura beatnik monogâmica que toda garota de 12 anos gostaria de conhecer.

Crescemos, assim, esperando que uma pessoa dessas, Jack "I'm-flying" Dawson, nos salve das nossas próprias vidas mundanas, nos resgate, no exato momento em que não vamos mais aguentar e vamos pular de cima do navio.

Mas ninguém vem nos salvar, porque todo mundo está fazendo a mesma coisa: esperando ser salvo. Todo mundo vive a mesma vida mundana e mais ou menos, tanto os aristocratas no navio, quanto os artistas sem desodorante.

De repente, o erro do filme é não mostrar o quanto Rose salvou Dawson de sua vida mais-ou-menos.

Porque o amor é isso: salvar-nos uns aos outros dos nossos próprios naufrágios.

4 comentários:

Nathan disse...

Curti! Tirou leite de pedra...

vina apsara disse...

hahah nada, james cameron é filósofo, cara!

meu amigo disse que o amor, na verdade, é saber quando e como pedir para alguém te afogar. agora eu acredito mais nele. podia deletar esse post.

disse...

Olhando as coisas com esse olhar crítico tudo parece muito mais interessante..... Estou adorando seus textos...

vina apsara disse...

obrigada, má, seja bem-vinda!